Anjos são reais (Angels are real)


Hoje, no dia dos Anjos da Guarda, reproduzo uma crônica que escrevi há algum tempo. O que tenho a agradecer aos Anjos em minha vida não caberia aqui nessas letras. Eu nasci no dia dos Anjos e tenho por eles respeito e admiração. Eu sinto a presença deles.
 
 
Eu gostava de sonhar que meu anjo de guarda aparecia para mim, em carne e osso. Aquela oração pequena, que quase todas as crianças aprendem, passando de geração em geração, sempre foi levada em minha consideração como verdade absoluta. O anjo da guarda governa e ilumina sim... O tempo passou e eu não visualizei o meu anjo; entretanto, ele me aparece em outras formas. Nina é um desses anjinhos. Costumo dizer que a cachorrinha pequena, inteligente e amiga veio para minha vida para substituir todos os outros cãezinhos que tive. Nina é aquilo que podemos chamar de “prestimosa”. Ultimamente ela anda meio zangada porque o condomínio onde eu moro não está mais permitindo algumas regalias para ela. Uma das coisas que ela adorava fazer era ir buscar o jornal no elevador, todos os dias. 
 
São pequenas atitudes dos outros que, somadas, fazem um verdadeiro estrago na vida da gente. Este prédio onde moro não é muito diferente do que venho notando há tempos. Ninguém está preocupado em nosso bem estar e sim no seu próprio. Isto não é em prédios, somente. Em todos os lugares que se passa, tem o tal do egoísmo pungente aflorando, com força. Cada dia mais, com raras exceções.Existe um outro lado que nunca podemos nos esquecer. São fatos que nos acontecem e que devemos tirar proveito deles, para servir-nos de lições boas.  Sempre que saio, eu converso com a Nina como se ela fosse “uma pessoa” – e é, de certa forma – e digo a que horas vou voltar, que eu a amo, estas coisas que só quem adora os animais sabe como é...Tenho periquitos australianos, os Ticunins, um nome que inventei e que nem sei se a palavra existe. Nina adora ficar perto deles porque são alegres demais. Acordar com a barulheira que eles fazem, enternece e faz com que eu me sinta cada dia mais viva. Os danadinhos aprontam tudo! Outro dia aconteceu um acidente com eles. A casinha deles, uma gaiola grande, caiu porque o pino que a segurava foi cedendo, com o tempo. Os dois se esborracharam no chão! Não sei por quanto tempo, porque eu não vi o “acidente”. Quando cheguei, já de noitinha, vi uma cachorrinha esbaforida, nervosa e querendo “falar”, enquanto corria para a varanda. A cena que vi foi a dos Ticunins assustados dentro da gaiola, estatelada no chão! A Nina mostrou para que veio... Ela deitou-se bem ao lado da gaiola, para me mostrar que estava tomando conta deles até a “mamãe” voltar. O mais engraçado foi a demonstração de alívio dela. Deitou-se de barriguinha pra cima no sofá e dormiu o sono dos justos e a certeza do dever cumprido. Ela nunca deixaria os meus meninos sozinhos!
 
Ontem eu conheci outro anjo. Tive que me submeter a uma ressonância magnética por conta de uma dor no pé esquerdo, que me persegue há muito tempo. Cheguei timidamente e falei baixinho pra recepcionista que eu “achava” que ia sair correndo daquele tubo imenso, me engolindo inteira. 
Uma mocinha magra e muito concentrada em sua missão, pegou minha mão e carregou-me para conhecer aquela máquina barulhenta que seria dona do meu corpo por 30 minutos. Fizemos alguns testes e eu batendo pé. Deitar na guia, amarrar meus braços, colocar um peso enorme em cima de mim! Nem pensar... queria ir embora!Depois de algumas tentativas, ela simplesmente disse;- Vou fazer o teste junto com você. Enquanto eu rezava todas as orações que conheço, morrendo de sede pelo medo, um anjo fez cafuné nos meus cabelos e segurou meu ombro por 30 longos minutos, com a força de quem sabe muito bem para que veio neste mundo. Saí do exame meio tonta, mas com um sorriso e logo fui procurar meu batom, companheiro que enfeita meu rosto de branquela. Bom dia, Jose e Nina!
 
Sunny L