Sem inveja

 

 
 
 
 
Sem inveja...
Aquela tigela branca e azul de restos de suspiros
(era tão bom usar meus dedinhos para limpá-la!)
E minha avó fazia um milagre com um único ovo
Montando uma gemada com farinha bem fininha
E dava uma colher para cada um, olhinhos ávidos!
(Recipiente de prata e pequenas colheres de ouro)
Inocente fantasia colorida de amor verdadeiro...

A sopa de feijão da sobra do almoço com legumes,
E depois o banquinho para subir e lavar a louça...
E quando o rio estava límpido e a água corria mansa
Pescávamos muitas piabas e um peixe maiorzinho
(acho que era o líder da turma bonita de peixinhos)
Mas quando chovia, vinham os mandis com ferrões
Cheios de fome e machucavam nossas mãozinhas
Enquanto o chuá do velho moinho brigava com a água.

Época de tanajura, que caía na panela de gordura...
Muitos cata-ventos feitos pelos amigos velhinhos,
Meu sapato consertado por meu tio tantas vezes,
Chuva que levava o barquinho de papel rua abaixo.
A estradinha de eucaliptos onde eu cantava, feliz
Sem medo de lobo mau, porque a estrada era minha...

Sunny L