Anjos Reais (Real Angels)


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Anjos Reais
Sonia Rita Sancio Lóra
O anjo da guarda governa e ilumina.

Aquela oração pequena dos anjos sempre foi  verdade para mim.  Não visualizei o meu anjo,  mas ele me aparece em outras formas.  Nina, minha prestimosa cachorrinha é um deles. Ultimamente ela anda triste porque o condomínio não permite mais algumas regalias. Buscava o jornal para mim e agora não pode mais. São atitudes que, somadas, fazem um verdadeiro estrago na vida da gente. Poucos estão preocupados em nosso bem estar. Nos lugares que se passa, o egoísmo pungente aflora com força, cada dia mais. Tenho periquitos australianos, os Ticunins, um nome que inventei e não sei se a palavra existe. Nina adora ficar perto deles e toma conta, porque são alegres demais. Acordar com a barulheira que eles fazem, enternece e faz com que eu me sinta cada dia mais viva. Os danadinhos aprontam tudo! Outro dia aconteceu um acidente enquanto estava fora. A  gaiola grande, sempre aberta, caiu e os dois se esborracharam no chão! Não sei por quanto tempo, porque eu não vi o “acidente”. Quando cheguei, já de noitinha, vi uma cachorrinha esbaforida, nervosa e querendo “falar”, enquanto corria para a varanda. E me mostrava os Ticunins assustados  entrando e saindo da casinha deles. Nina mostrou para que veio. Ela deitou-se bem ao lado da gaiola, para me mostrar que estava tomando conta deles até a Mama voltar. Aliviada, deitou-se de barriguinha pra cima no sofá e dormiu o sono dos justos e a certeza do dever cumprido.
Ontem eu conheci outro anjo. Tive que me submeter a uma ressonância magnética por conta de uma dor no pé esquerdo, que me persegue há muito tempo. Cheguei timidamente e falei baixinho pra recepcionista que eu “achava” que ia sair correndo daquele tubo imenso, me engolindo inteira. Uma mocinha magra gentilmente carregou-me para conhecer aquela máquina barulhenta que seria dona do meu corpo por 30 minutos. Fizemos alguns testes e eu batendo pé. Deitar na guia, amarrar meus braços, colocar um peso enorme em cima de mim! Nem pensar! Queria ir embora! Depois de algumas tentativas, ela disse: - Vou fazer o teste junto com você. Não vai dar nada. Enquanto eu rezava todas as orações que conheço, morrendo de sede pelo medo, um anjo fazia cafuné nos meus cabelos e segurou meu ombro por 30 longos minutos, com a força de quem sabe muito bem para que veio neste mundo. Saí do exame ainda meio tonta, mas com um sorriso e logo fui procurar meu batom, companheiro que enfeita meu rosto de branquela.