Amor não custa caro



AMOR NÃO CUSTA CARO



Tenho o velho costume de dar a volta na ilha de Vitória, de carro. Enquanto ouço música, penso na vida, vejo a paisagem, é bem legal. Muitas vezes, sem querer, vou a lugares que nunca imaginei existir.

Domingo passado parei num mercadinho da periferia, quando vi uma pequena floricultura dentro dele – adoro plantinhas... Assim que entrei, ele veio atrás de mim. Não falava nada, só andava do meu lado. Eu fiquei intrigada. Claro que ele queria ganhar alguma coisa... Dei asas à imaginação e deixei que ele continuasse ao meu lado. De vez em quando sorria para ele , mas se esquivava, muito tímido.

Fui colocando os biscoitos escolhidos – um de cada sabor – em cima da pequena mesinha do caixa. Ele deu um pulo para o outro lado, ficando de frente para mim. Só me olhava na inocência dos seus seis anos (imagino) - e eu fingia que não era comigo. Coloquei os biscoitos dentro da sacola. Entreguei o pacote inteiro para ele, que levou um baita susto. Tinha de morango, chocolate, baunilha, castanha e outros.

De volta, recebi o sorriso mais bonito... Atrás dele, correndo, veio um molequinho de uns três anos. Ele disse pro irmão – “Eu num ti falei qui ela ia dá pra nóis – eu ti falei...” 
Eu sou muito “amorosa”, como dizia a minha Nona Cecília. As duas crianças acertaram no alvo. Eu vim embora de mãos vazias, mas o meu coração... nossa! Nem me lembrei das plantinhas...