Fujões de nós mesmos






Fujões de nós mesmos


Ficamos tristes; queremos viver emoções que julgamos perdidas.
O que nos falta é coragem para recolhê-las em nosso caminho.
Aí, sofremos e choramos por algo que outros possuem e nós não.
Não falo de sapatos novos, vestidos bonitos, jóias, finas refeições.
Falo da falta de amor que está se alastrando pelo mundo afora,
Inveja, competição, desconfiança, hipocrisia, insegurança, ironia
e todas as fases negativas que achamos que temos o direito de ter.
Aí, nos escondemos dentro de concha por umas horas, uns dias,
Umas paredes; fechamos janelas e portas e ainda colocamos
Uma cortina escura para que não se enxergue absolutamente nada
Com os olhos que já estão fechados para o que temos de bom.
Depois voltamos pra mostrar ao mundo que está tudo bem, tudo bem!
Eu, por exemplo, tenho grande interesse de saber como tudo isso é possível.
Deve haver alguma explicação científica. Deve haver.

Prosa de Sonia Rita Sancio Lóra, sábado de 10 de março de 2012.