O dia já brilha




O dia já brilha...


Você já viu um amanhecer na roça? A quietude é tão grande que ao primeiro piar de pássaros ou do cantar do galo, você não resiste e abre os olhos. Tudo que não é visível na cidade grande, para nós, matutos, sentimos em duplicidade, ao saber a terra tão perto. É o eco da natureza nos dizendo para levantar - é hora de plantar.

Penso na terra e faço uma comparação com a vida aqui na cidade grande. É hora de calar, virar-se para o lado de dentro de nós mesmos. Muitas vezes nós somos os únicos responsáveis pelas escorregadelas de comportamento que temos. Confunde-se esperteza com sensibilidade, cultura com conhecimento de vida, amizade verdadeira com uma mera convivência. Quantas vezes estamos competindo abertamente e não notamos que estamos magoando alguém? Não quero dizer que devemos nos policiar vinte e quatro horas por dia, mas um pouco de cuidado não custa muito e nos priva de sérios aborrecimentos.

Não é bonito ficar em cima do muro vendo as coisas acontecendo. Precisamos tanto de um apoio que dificilmente vem e exatamente naquele momento de muita necessidade é que ele nos falta. Costumo dizer sim na maioria das vezes, porque um dia eu posso precisar de ajuda também. Ontem aconteceu um acidente no prédio onde eu moro. Alguém esqueceu uma torneira aberta e a água espalhou-se com força até dentro dos elevadores. As escadas pareciam um rio dentro do edifício. Como tinha pouca gente no prédio, peguei um rodo e fui à luta, enquanto outros assistiam passivamente o trabalho de apenas duas pessoas.

Na terra do concreto podemos plantar também. Cada um escolhe o que e de que forma.


Boa semana a todos. Segunda feira de janeiro, 2012.