Realizando sábados


Realizando sábados
Sonia Rita Sancio Lóra
 



“Sábado é dia de feira” – Frase da minha Bá.


Sábado é dia de ficar pronto para o final de semana. Ao acordarmos, a nossa respiração desacelera, pois sabemos que as próximas quarenta e oito horas serão plenas... e mais tranqüilas.

Você já experimentou fazer feira às seis da matina, numa cidadezinha do interior? É uma das melhores sensações (entre milhares de outras) que podemos ter... Encher nossos olhos – e todo o resto dos sentidos com o verde, os legumes, as flores, os queijos, as massas, os pães... e saber que vieram de algum lugar bem perto de você. Aí você se transporta para as hortas, as cozinhas dessas pessoas, o forno de barro... 

Há de se tomar cuidado... de repente você pode pisar num monte de frangos deitados no meio da feira. Ou vai morrer de compaixão e querer levar aquele cachorrinho todo sujo, que será vendido à primeira mãe de criança berrando de vontade de ter um “au au” dentro de casa, até o bichinho voltar para as mãos do vendedor, como acontece tantas vezes...

Bolsa cheia... Fascinada pelo verde, compro tudo. Se não usar, posso doar pra vizinha; o importante é sentir o cheiro do manjericão, do alecrim, da salsinha e salsão, cebolinhas, couve em folhas e cortados bem fininhos, com mãos de fada - nada de usar máquinas pra cortar a couve... – e aquele alface que agora ganha cores? Tem de todos os tipos! Crespa e lisa e até aquelas que são servidas nos Burger Kings e similares. Os biscoitos caseiros se misturam aos vinhos de jabuticaba, licor de genipapo, (com j ou g?) sucos de uva... Você nem sabe pra onde olhar e tem que parar muitas vezes para abraçar pessoas que você conviveu quando criança e nunca mais encontrou... o fascínio da feira é uma mistura de tudo, mesmo. 

Tudo dentro do carro, feliz da vida, podemos voltar pra casa. Desço a serra sob forte neblina – coisa mais linda é ver o verde pintado de algodão branco! Apaixonada por fotos, gasto todo o espaço da minha companheira-mor, a câmera que ganhei do um filho número um.

O burburinho da grande cidade me espera... mas antes vou parar na fábrica de queijos... na igrejinha da montanha... no restaurante da Dona Filó... na estradinha de mexericas, mangas e laranjais... tirar algumas fotos...

Ao som de Bruno e Marrone – afinal tenho que honrar meu sangue sertanejo – a todo volume, volto pra casa e mergulho no mundo sofisticado do virtual. Quando abraço os meus amigos da tela, fico com vontade de saber se eles já foram a uma feirinha assim...
  

"Contos de Saudade" pg.150 Editora A3, Vitória-ES